terça-feira, 10 de janeiro de 2012

INTERNET Rede com proteção

Criança pode ter perfil no Facebook? E se ela cair num site pornô? Internet e redes sociais não param de propor novos desafios a pais e educadores 

Todos os dias chegam à Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) do Rio de Janeiro casos de crianças vítimas de crimes na internet. Um deles chocou particularmente os investigadores: o de uma menina de apenas 12 anos que, ao navegar na rede, conheceu uma "amiguinha", identificada como "Patricinha12", com quem passou a compartilhar segredos e complexos. Após exibir pela webcam os seios, que considerava pequenos demais, para a suposta companheira virtual - na verdade um pedófilo -, passou a ser chantageada. Na tentativa de se livrar das ameaças, como o envio das imagens captadas para sua rede de amigos, a garota se submeteu a todo tipo de ordem do criminoso. O caso, ainda em fase de apuração, ilustra os riscos a que estão expostas crianças que usam a rede virtual sem orientação ou supervisão dos pais. "O fato de o filho estar em casa não quer dizer que ele está protegido", lembra a advogada Patricia Peck, idealizadora do Movimento Criança Mais Segura na internet.

As crianças brasileiras são as que mais ficam online, passando em média 18,3 horas conectadas por semana, segundo dados da empresa Norton, que no ano passado fez uma pesquisa com cerca de 7 mil adultos e 2,8 mil crianças e adolescentes, entre 8 e 17 anos, em 14 países. O estudo resultante, o Norton Online Family Report, detectou que 60% dos internautas mirins tiveram experiências negativas, mas somente 45% dos pais perceberam. E deixou claro que é necessário ter interesse em saber o que os filhos andam fazendo no ciberespaço. Mesmo pais analfabites, que não dominam a tecnologia, podem rastrear numa conversa uma ameaça virtual. A menina não contou a ninguém o que estava acontecendo por medo de ser punida. O caso foi descoberto pela pediatra, com quem se abriu. "A criança tem que ter confiança nos pais para pedir ajuda", destaca a psicóloga Maria Inês Bittencourt, professora do Departamento de Psicologia da PUC-Rio.
Fale com eles

Muitos pais ensinam os filhos a não conversar com desconhecidos nem revelar nome e endereço. E quando se trata de internet? É básico instruir a criança a não encontrar um amigo que conheceu na rede sozinha nem abrir a câmera para estranhos. Ela não deve clicar em tudo que vê, já que pode baixar vírus, acessar conteúdo inadequado e cair em golpes virtuais. O ideal é que até os 10 anos navegue com um adulto por perto. Criado em 2009, o Movimento Criança Mais Segura (criançamaissegura.com.br) orienta sobre o uso prudente e ético da internet.

Como alertar sobre as más experiências online? "Tem que explicar num papo aberto que existe de tudo na internet, inclusive coisas perversas e feias", ensina Maria Inês, a favor de que os pais limitem o tempo de uso do computador, que não deve ser instalado no quarto da criança. Ela é taxativa: os pequenos não devem entrar em sites de relacionamento. "Isso os expõe a situações que não têm condições de entender. Colocar fotos, então, nem pensar! Só a partir da adolescência", afirma. Mesmo depois dos 12 anos, faça questão de conhecer os amigos virtuais do seu filho.

O melhor filtro é você

Pais que desejam conferir as páginas visitadas pelos filhos podem se valer de procedimentos simples, como clicar no histórico do navegador. Segundo Patricia, outro jeito rápido de saber o paradeiro das informações da criança na internet é fazer buscas periódicas colocando o nome dela e ver em que páginas aparece. No Google é possível achar textos e imagens.

O mercado oferece ferramentas capazes de filtrar conteúdos impróprios, monitorar os pequenos em sites de relacionamento e realizar buscas. Os filtros mais modernos possibilitam que o login seja feito de qualquer máquina para o rastreamento das atividades em tempo real..

Para a psicóloga Maria Inês, os filtros são importantes e devem ser instalados com o conhecimento das crianças. "A mãe precisa explicar que nem tudo é adequado. Seu filho pode até ficar chateado, mas acabará entendendo", diz. A mesma recomendação vale em relação aos adolescentes. Por mais que você vigie e explique, é impossível ficar 24 horas ligada nos passos virtuais de seu filho. E se descobrir que o garoto passou a noite toda em sites pornográficos? "Deve conversar com ele", aconselha Helen Sardenberg, delegada titular da DRCI-Rio, lembrando que os melhores filtros são a vigilância e o diálogo.

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FONTE:  http://educarparacrescer.abril.com.br/comportamento/rede-protecao-634939.shtml em 10/01/2012